Alliene foi assassinada com 23 facadas em casa, na Vila Sulmat, na frente do filho de 9 anos; feminicida permanece preso. (Foto: Reprodução/Osvaldo Duarte)
O 37º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul, que vitimou a ex-guarda municipal Alliene Nunes Barbosa, de 50 anos, em Dourados, expõe o risco de endereços desatualizados das vítimas de violência doméstica. O acusado do crime, o venezuelano Cristian Alexander Cabeza Henriquez, de 44 anos, usava tornozeleira eletrônica e estava proibido de se aproximar da ex-companheira num raio de 300 metros.
Segundo explica a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), responsável pelo controle do monitoramento eletrônico, a área de exclusão é indicada pela vítima e cadastrada no sistema. Com isso, o agressor não pode entrar naquele endereço, mas, caso adentre a área, um alerta é emitido. Assim, a central entra em contato com o monitorado, determinando sua saída daquele local e, no mesmo momento, entra em contato com a vítima. Em caso de permanência do indivíduo, os agentes solicitam apoio e vão até o local, considerando um descumprimento de ordem judicial.
No caso em questão, Alliene estava em casa, na Vila Sulmat, quando foi assassinada com 23 facadas na frente do filho de 9 anos, na noite de domingo (23). Contudo, o endereço estava diferente do registrado no sistema da Agepen, fato que impediu que o alerta fosse acionado. Por isso, é importante que os endereços sejam atualizados pelas vítimas, para que a tornozeleira seja monitorada e, assim, impeça a aproximação do agressor.
Cristian Alexander está preso desde o início da madrugada de segunda-feira (24) em uma das celas da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) em Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande. Conforme noticiado pelo Jornal Midiamax anteriormente, o feminicida passará por audiência de custódia nesta quarta-feira (26), em que o Poder Judiciário decidirá sobre a manutenção de sua prisão.
O feminicida tem passagens pela polícia desde o início deste ano, sendo uma por tentativa de estupro, no âmbito da violência doméstica.
Depoimento
Conforme informações apuradas pela reportagem, o venezuelano negou o crime em depoimento oficial na delegacia. Entretanto, ele teria relatado brigas constantes com Alliene por ciúmes. O acusado, que usava tornozeleira eletrônica, alegou não saber o motivo de ter sido preso anteriormente.
O venezuelano chegou a citar envolvimento de outra mulher, que seria vizinha de Alliene, contudo, não soube explicar a dinâmica do crime e detalhou que a vítima ameaçava entregá-lo à polícia para ser preso novamente. A ex-guarda municipal havia solicitado medida protetiva contra ele no começo do mês.
37º feminicídio
Além da brutalidade, o feminicídio que vitimou a ex-guarda municipal chama atenção pelos requintes de frieza. Ela foi assassinada na frente do filho de 9 anos, que ficou mais 40 minutos trancado em um dos quartos da residência. Somente depois ele conseguiu escapar, pular um muro e pedir socorro.
À polícia, o filho de Alliene contou que a mãe e o ex-marido estavam bebendo quando começaram a discutir. Durante a briga, Cristian pegou uma faca e deu ao menos 23 golpes na mulher.
Fonte: Midiamax

