Diretor comercial da Imaculada Agronegócios se manifestou através de um vídeo de pouco mais de 7 minutos. (Reprodução)
Pedro Henrique Cardoso, diretor comercial da Imaculada Agronegócios, empresa alvo da Operação Agro-Fantasma, deflagrada em Mato Grosso com cumprimento de mandados em Campo Grande, negou o golpe de R$ 70 milhões e alegou ter ocorrido um desacordo comercial.
Na Capital sul-mato-grossense, o ex-deputado por Mato Grosso do Sul Sérgio Assis foi preso na quarta-feira (4) com munições durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão em seu apartamento. Horas depois, ele foi solto com fiança de R$ 5 mil.
Sérgio foi alvo da operação em Mato Grosso do Sul após um produtor rural do estado vizinho denunciar um golpe praticado pelas empresas chefiadas pelo ex-deputado, seu filho, Mário Sergio Cometki Assis, e pelo Pedro Henrique.
No mesmo dia da operação, o diretor comercial da Imaculada Agronegócios se manifestou através de um vídeo de pouco mais de 7 minutos. Ele negou o golpe denunciado pelo produtor rural, alegou que se trata de um desacordo comercial e relatou ameaças de morte proferidas contra sua filha, de 4 anos.
“Eu nunca pensei que teria que parar a minha rotina, olhar para uma câmera e falar de algo tão pesado. Quem me conhece, sabe. Eu sou marido, empresário, mas, antes de tudo, eu sou pai. E quando alguém ameaça uma criança de quatro anos, o silêncio deixa de ser estratégia e passa a virar covardia”, disse o empresário.
Desacordo comercial
No vídeo, Pedro Henrique conta que, em abril do ano passado, iniciou-se uma parceria comercial. Segundo ele, houve erro de precificação e o prejuízo foi da empresa. “Seguimos operando compras, entregas, pagamentos, são mais de R$ 35 milhões ao longo desse relacionamento. Quem age de má-fé não paga milhões, quem quer dar golpe não oferece nenhum tipo de garantia. Tivemos divergências comerciais? Sim”, declara.
Ao longo das negociações, o diretor comercial alega que houve aplicação de “juros sobre juros” e quebra de acordo quando não quis aceitar descontos por entrega de produtos fora do padrão contratado. Ele ainda cita multas relacionadas a trocas de notas fraudulentas geradas pela empresa do produtor rural.
Mesmo assim, o diretor comercial diz que foi pressionado a assumir os prejuízos e enviar valores desproporcionais de caução. Logo, teriam iniciado as cobranças abusivas, atualizações não previstas em contrato e inclusão de valores referentes a lucros cessantes que não haviam sido contratados.
O diretor comercial da Imaculada Agronegócios defende que conversou pessoalmente com o produtor e ofereceu garantias que ultrapassavam em 15 ou até 20 vezes o valor cobrado. Entre as propostas apresentadas, estava um patrimônio avaliado em mais de R$ 150 milhões, que foi recusado. Segundo ele, o produtor alegava que queria dinheiro.
Ameaça de morte
Para o diretor comercial, o mais grave foi a ameaça de morte contra a filha, de 4 anos de idade. Pedro Henrique alega que queria resolver o débito, mas não havia motivação para as ameaças de morte. Uma das ameaças foi mostrada no vídeo divulgado pelo empresário. Ele revelou uma ligação telefônica, na qual o produtor teria ameaçado vender uma propriedade rural e contratar o PCC (Primeiro Comando da Capital) para “queimar tudo”.
“E isso vai custar caro no final. Se eu morrer, infartar, alguma coisa… Eu falei para o meu filho vender uma propriedade dessa que o mínimo que custa é R$ 40 milhões, pega os R$ 40 milhões, dá para o PCC e manda queimar tudo”, revela o vídeo.
Pedro diz que teve uma medida protetiva concedida diante das ameaças. Depois, começaram publicações de valores que são exorbitantes. “Nós sabemos das nossas responsabilidades e o que a Justiça determinar será cumprido, mas ameaça contra nós e a nossa família não é contrato. Isso ultrapassa todos os limites, eu não estou aqui como empresário, estou aqui como pai, homem, como alguém que realmente acredita na justiça, na verdade”, falou.
Golpe
No dia 24 de fevereiro, o produtor rural, de 56 anos, procurou a polícia de Mato Grosso para denunciar as empresas do agronegócio chefiadas por Sérgio Assis, Pedro Henrique Cardoso e pelo filho do ex-deputado, Mário Sergio Cometki Assis. Isso porque a vítima teria fechado contratos no ano passado, durante o período de colheita da soja.
Segundo o boletim de ocorrência, o produtor foi procurado pelo corretor de grãos Rafael, que se apresentou como representante das empresas Imaculada Agronegócios e Santa Felicidade Agro. Desde o início das tratativas, os envolvidos afirmavam que o grupo possuía robustez financeira, grande lastro patrimonial e ampla capacidade operacional.
O corretor chegou a dizer que Sérgio responderia pessoalmente por eventual inadimplemento. Confiando no grupo, a vítima realizou inicialmente operações de venda de soja, sendo que todas foram pagas regularmente. Em uma ocasião, 17 caminhões permaneceram retidos até a compensação bancária, sendo liberados somente após a confirmação do pagamento.
Na manhã de quarta-feira (4), policiais conseguiram recuperar a aeronave que o produtor havia vendido ao grupo em Campo Grande. Assim, ela estava em um hangar para manutenção.
Operação Agro-Fantasma
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (4), a Operação Agro-Fantasma, contra empresa agropecuária envolvida em fraudes na compra de grãos na região oeste do Estado. Foram cumpridos mandados no Estado, em Campo Grande.
As investigações apontaram que a empresa, que se apresentava com roupagem de solidez, atuava em fraudes estruturadas na compra de grãos, causando relevantes prejuízos financeiros às vítimas.
Para aplicar os golpes, os donos da empresa convenciam as vítimas a utilizarem o nome de suas propriedades para fazer compras a prazo de grãos, que eram revendidos à vista pela empresa para indústrias.
Os valores das compras a prazo seriam quitados pelo grupo. Porém, somente nos primeiros meses os débitos foram pagos corretamente. Após certo tempo, os investigados deixavam de quitar as dívidas contraídas, deixando o produtor rural no prejuízo.
Após adquirir a confiança de uma das vítimas, o grupo realizou diversas compras de grãos, causando uma inadimplência superior a R$ 58 milhões a ela.
Fonte: Midiamax

