Buscas na empresa de André Luiz dos Santos, o Patrola. (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)
Cinco dos sete presos na terça-feira (12) por fraudes no tapa-buraco são investigados por receber propina para ajudar empreiteiros a praticar desvio de recursos públicos em 2018. Na denúncia do Ministério Público na época, o ex-secretário Rudi Fiorese e servidores são réus.
O MP cita Fiorese como o então secretário e ordenador de despesas à época. Durante a operação Cascalhos de Areia, foram encontrados R$ 18 mil em notas e 5,5 mil dólares em um cofre — que seriam provenientes de propina.
O engenheiro Mehdi Talayeh atuava como fiscal dos contratos, responsável por aprovar relatórios de medição e garantir que os pagamentos fossem feitos sem questionar a execução dos serviços. Ele teria simulado compra de gado por valores muito acima do mercado, o que seria para pagamento de propina, conforme as investigações.
Já Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula atuava como técnico operacional que auxiliava as medições. Edivaldo Aquino Pereira atuava como fiscal substituto de contratos e Fernando de Souza Oliveira era gerente de medições da Secretaria de Obras.
Além dos cinco agentes públicos, a operação Buraco sem Fim prendeu também o engenheiro sócio da Rial, Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, e seu pai, Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa.
Licitações
Agora alvo do Gecoc, a Construtora Rial chegou a ser citada na denúncia da Cascalhos de Areia. Na ocasião, o MP apontou que a empreiteira participou de licitação que resultou nos contratos fraudulentos por parte da Engenex e de Patrola. No entanto, naquela investigação, a Rial não foi alvo.
Atualmente, a construtora possui mais de R$ 147 milhões em contratos ativos com o município de Campo Grande.
O Gecoc afirma que o problema está na execução do contrato. Ou seja, a empreiteira é acusada de não executar o serviço devidamente. Para tudo parecer correto, a Rial contava com participação de servidores da Sisep, que foram exonerados pela prefeita Adriane Lopes (PP) após tudo vir à tona.
A atuação da empreiteira, segundo os investigadores, segue o mesmo modus operandi do que foi apurado na Operação Cascalhos de Areia, em que cinco dos atuais investigados foram denunciados.
A reportagem tenta contato com a Rial desde ontem, mas não obtivemos retorno. O espaço segue aberto.
A defesa de Rudi Fiorese adiantou que irá se informar sobre o processo antes de se pronunciar. O Governo do Estado já o exonerou do cargo de diretor-presidente da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos).
Segundo o advogado de Erik, o advogado Fábio Ferraz (que também defende Fernando de Souza), como Valadão saiu da Sisep há 4 anos, a defesa acredita que a prisão seja por algum fato relacionado à Operação Cascalhos de Areia.
A defesa de Antônio Roberto e do filho, Antônio Pedrosa, informou que só irá se manifestar quando tiver acesso ao inquérito.
Fonte: Midiamax

