Equipes na porta do Camelódromo de Campo Grande para cumprimento dos mandados. (Reprodução, PF)
A Justiça Federal negou pedido de relaxamento de prisão de Brendon Alisson Medeiros Tavares, filho do lojista Clenio Alisson Tavares da Silva. Já existe denúncia contra a dupla, que é dona de loja no Camelódromo e foi alvo da Operação Iscariotes em março deste ano. A Polícia Federal chega a apontar movimentação financeira de cerca de R$ 1 milhão por mês pelo grupo.
Na decisão, proferida na segunda semana de maio, o juiz federal esclarece que a defesa de Brendon pontuou excesso de prazo para oferecimento da denúncia. Porém, afirma que o MPF (Ministério Público Federal) ofereceu a denúncia em 30 de abril.
A prisão de Brendon já completa mais de dois meses. Para o magistrado, essa decisão da prisão preventiva ocorreu para garantia da ordem pública, “diante de indícios da participação em organização criminosa transnacional voltada à prática de descaminho em larga escala”.
Movimentações milionárias
O juiz ainda relembra a participação de agentes da segurança pública no esquema de contrabando, entre policiais e bombeiros. Em determinado ponto da decisão, o magistrado ressalta que o grupo teria movimentado até 500 aparelhos celulares por viagem e cerca de R$ 1 milhão por mês.
“Há indícios bastante robustos de que CLENIO ALISSON TAVARES DA SILVA e BRENDON ALISSON MEDEIROS TAVARES lideram uma robusta estrutura que constituíram precipuamente para a importação irregular de eletrônicos de alto valor agregado, em especial smartphones, que então eles mesmos vendiam em lojas próprias ou distribuíam para revenda por terceiros”, diz trecho da decisão.
Ao Midiamax, o advogado de Brendon reforçou que requereu a revogação da prisão do cliente e também aguarda o julgamento de um recurso no STJ (Superior Tribunal de Justiça).
“A Defesa entende que a prisão é absolutamente desnecessária, considerando que Brendon é primário, está sendo acusado por crime não praticado com violência ou grave ameaça e, portanto, sua liberdade não representa qualquer perigo para a sociedade”, afirma o advogado Luciano Albuquerque.
O Midiamax também tentou contato com a defesa de Clenio, mas até o momento não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.
Investigações e prisão

(Divulgação, TOR)
Clenio e o irmão, Cleiton Augusto Tavares da Silva, foram condenados a 10 anos de prisão. Eles respondem a processo por tráfico de drogas interestadual, na Justiça de São Paulo.
O processo trata da prisão em flagrante de Cleiton, junto do policial federal Miguel Freire, em 2024. Os dois transportavam tabletes de cocaína quando uma equipe da Polícia Militar realizou o flagrante.
Em janeiro deste ano, a Justiça deferiu instauração de incidente de insanidade mental para Miguel Freire, “diante da existência de dúvidas acerca de sua capacidade de entendimento e autodeterminação”.
Já no último mês, em março, a Justiça publicou a condenação dos irmãos. A sentença é de 10 anos, três meses e 20 dias de reclusão, no regime inicial fechado, além do pagamento de 1.496 dias-multa.
Enquanto isso, a mulher que seria dona do carro em que Cleiton e Miguel foram presos foi absolvida.
O Midiamax tentou contato com as defesas dos réus. O advogado Gustavo Battaglin afirmou que o processo está em sigilo e não pode comentar sobre o caso. Já a defesa de Clenio, feita pelo advogado Carlos Dantas, afirmou na época que “já entrou com recurso de apelação e confia que Clenio é inocente”.
Prisão antecedeu operação da PF
Em 2024, a prisão do agente da Polícia Federal de Campo Grande resultou na investigação contra Clenio, recentemente preso na Operação Iscariotes. Na ocasião, o agente estava acompanhado do irmão do empresário e transportava 65 quilos de cocaína em uma estrada de São Paulo.
No dia 2 de outubro de 2024, a Polícia Militar Rodoviária de São Paulo realizaria a prisão da dupla, que então revelaria o esquema de tráfico e contrabando. O policial federal Miguel Freire e Cleiton Tavares da Silva viajavam pela Rodovia Washington Luís quando houve o flagrante.
Os militares suspeitaram dos carros, um HB20 e um T-Cross. Conforme detalhado no flagrante, assim que percebeu a presença da viatura, Miguel mudou repentinamente de faixa com o T-Cross, tentando se esconder entre os caminhões na via.
“Essa manobra despertou suspeita nos policiais, pelo que foi acionado o sinal sonoro e luminoso da viatura. Os policiais perceberam que um veículo Hyundai HB20, que estava imediatamente à frente do T-Cross, acelerou bruscamente, manobra que também despertou atenção e suspeita”, diz o registro.
Precisava do dinheiro
Para os militares, Miguel se apresentou como policial federal, porém não estava em serviço. Ele acabou revelando que aceitou o ‘trabalho’ porque estava com dívidas. Assim, faria o transporte da carga até São Paulo e receberia R$ 16 mil.
Já no outro carro estava Cleiton. Ele também fugiu, mas houve perseguição, e os militares o abordaram. Depois, os oficiais constataram que havia 60 tabletes de cocaína escondidos no T-Cross e que o HB20 fazia o serviço de ‘batedor’.
No entanto, a dupla afirmou que não sabia que transportava drogas. Os dois haviam contrabandeado uma carga dias antes.
Contrabando de celulares
O que a investigação revelou, a partir dos depoimentos da dupla, é que o empresário Clenio Alisson Tavares, dono de lojas no Camelódromo de Campo Grande, teria contratado os ‘serviços’. Assim, ofereceu R$ 16 mil ao policial federal para que viajasse até São Paulo.
Em depoimento, o policial federal confessou que precisava do dinheiro. Assim, aceitou viajar inicialmente até Goiânia (GO). Ele então pegou o carro e entregaria a mercadoria naquela cidade, com Cleiton.
Lá, entregaram vários aparelhos celulares, e Miguel recebeu R$ 16 mil. Depois, a dupla retornou para Campo Grande, mas, no caminho, recebeu a ligação de Clenio. O empresário ofereceu mais dinheiro para uma viagem que, segundo ele, seria para transportar uma carga “muito valiosa”.
Assim, tal carga seria o carregamento de cocaína, avaliado pela polícia em mais de R$ 1 milhão. Em junho de 2025, os envolvidos se tornaram réus pelo crime de tráfico de drogas. Em última publicação, a Justiça também manteve a prisão preventiva dos envolvidos.
A Polícia Federal prendeu preventivamente Clenio e um dos filhos. Eles tentaram liberdade, mas seguem presos.
Operação Iscariotes
Em 18 de março, a Polícia Federal cumpriu mandados contra Clenio, o filho e agentes da segurança pública que atuavam no contrabando. Um desses agentes, policial militar da reserva, já foi preso em 2024, atuando com a família.
Ele agia como motorista e segurança do filho do empresário, conforme declarou em depoimento. Também segundo a PF, as investigações da Iscariotes indicaram que o grupo era especializado na importação fraudulenta de eletrônicos e recrutava policiais para a distribuição das mercadorias.
Ainda na operação, os agentes federais também prenderam dois policiais civis. O investigador da Polícia Civil Célio Rodrigues Monteiro, o “Manga Rosa”, ganhou liberdade provisória uma semana depois, após pagar fiança de R$ 16 mil.
Fonte: Midiamax

