Gaeco cumpriu mandados na Central de Regulação. (Marcos Ermínio, Jornal Midiamax e Reprodução, Redes sociais)
O ex-chefe de regulação da saúde em Mato Grosso do Sul, Ed Carlo Burgatt — preso na Operação Gutenberg no dia 7 de julho —, usava de um esquema disruptivo no setor para forçar o ‘sucesso’ da organização criminosa que desviou R$ 27 milhões no Estado.
Para garantir que as prefeituras fechassem com a Editora Avante — empresa laranja que seria comandada por Rossana Paroschi Jafar —, Ed Carlo usava de seu cargo na regulação para condicionar os municípios, numa espécie de balcão de negócios.
O servidor estadual — que perdeu o cargo na regulação após a operação, deflagrada no último dia 7 — garantia exames e cirurgias às cidades que fechassem com o esquema.
Para isso, recebia quantias vultuosas da Avante — transferências que eram função de Rhayane Souza Fanaia (nome registrado na editora, mas que era uma peoa no esquema do Clã Jafar).
‘Eu tranco tudo aqui’
Em uma das conversas, os investigadores flagraram Ed Carlo e o advogado Gabriel Taquino — também alvo da operação — dizendo que estavam com dificuldade para fechar contrato em Nova Alvorada do Sul.
Por conta da situação, o então chefe da regulação diz que “vai trancar” o fluxo do município no setor e “ligar para o prefeito”. “Se não for pela gente, ninguém ganha”, completa.
Taquino explica a situação para Ed Carlo, que diz: “Eu tranco tudo aqui e não ajudo eles em nada. Saúde zero”. Para a investigação, a troca de mensagens demonstra a troca de favores para manter o esquema operando.

Ed Carlo e Gabriel Taquino. (Reprodução, Redes Sociais)
Dissolver a ‘bolada’
Ed Carlo também usava a filha, Jessyca Burgatt, na trama. A investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) mostra que a moça tinha várias empresas em seu nome, mas nenhuma tinha vínculos com atividades editoriais, livros ou afins, que poderiam servir como ponte para justificar o dinheiro enviado pela Avante.
Quebra do sigilo bancário expôs que Jessyca recebeu duas transferências de R$ 52 mil em agosto de 2022, de forma injustificada. Já Ed Carlo, entre fevereiro e março de 2023, faturou R$ 101 mil em duas parcelas.
A investigação diz que os pagamentos citados, vindos de uma empresa “comprovadamente fraudadora” de licitações, somados aos altos valores transferidos a um servidor público e sua familiar, colocam essas pessoas como beneficiárias diretas do esquema criminoso.
Como divulgado pelo Jornal Midiamax, a organização criminosa fracionava os pagamentos para ‘driblar’ investigações do órgão de investigações financeiras do Banco Central.
À reportagem, o advogado Mário Teixeira, que representa Ed Carlo, afirmou que a investigação ainda está em curso e disse: “Qualquer afirmação nesse momento é prematura e não pode servir de base para conclusões antecipadas. Não há elementos concretos que sustentem as alegações mencionadas e todas as circunstâncias devem ser analisadas com cautela, responsabilidade e respeito ao devido processo legal.”
Já a defesa de Jéssyca, representada pelo advogado Perceu Jorge, afirmou que “todos os valores por ela recebidos foram em sua conta física e possuem origem lícita, fato que será devidamente comprovado no decorrer do processo. Não há empresas envolvidas na operação, portanto, esta suposição de que empresas particulares estariam envolvidas não condiz com a verdade”.
Fonte: Midiamax

