Hospital de Sidrolândia, onde teriam ocorrido os desvios (Foto: Divulgação)
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por intermédio da 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia, do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e do Gaeco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado), deflagrou nesta quarta-feira (7) a segunda fase da Operação Dirty Pix, para cumprir três mandados de prisão preventiva e 25 mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria.
A operação contou com o apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar e da Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
A investigação, conduzida pelo Gecoc, teve início a partir da identificação de desvio de recursos públicos destinados à aquisição de um aparelho de ressonância magnética e de autoclave hospitalar, oriundos de convênio firmado entre o Estado de Mato Grosso do Sul e a Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, entidade responsável pela gestão do Hospital de Sidrolândia.
Foram presos o presidente do Hospital “Dona Elmíria Silvério Barbosa”, Jacob Meeuvis Breure, a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho e o assessor político Júlio César Alves da Silva.
Nesta quarta-feira, quando era conduzido pelos agentes, Jacob disse à reportagem do portal Campo Grande News disse que “não deve nada” e que “tudo será esclarecido”.
Com o aprofundamento das apurações, especialmente após a deflagração da primeira fase da Operação Dirty Pix, em novembro de 2025, foram identificados elementos que indicaram desvios de recursos provenientes de outros convênios celebrados pela entidade, mediante a reprodução de um modus operandi estruturado e reiterado.
De acordo com os elementos colhidos até o momento, o esquema investigado atingiu recursos públicos destinados à aquisição de equipamentos e materiais hospitalares, de unidade de terapia intensiva (UTI) móvel, bem como à execução de obras de reforma do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, cujos valores ultrapassam R$ 18 milhões.
Ainda segundo a investigação, eram elaborados planos de trabalho contendo informações fraudulentas, com superfaturamento de bens e serviços, e direcionamento das contratações para empresas previamente alinhadas ao núcleo investigado.
Após o ingresso dos recursos públicos nas contas da entidade hospitalar, parte dos valores foi desviada das finalidades previstas nos respectivos convênios e posteriormente redistribuída por meio de sucessivas movimentações financeiras, envolvendo repasses diretos e indiretos a agentes políticos, articuladores, intermediários e interpostas pessoas.
As provas obtidas também revelaram o abuso do poder financeiro da organização, utilizado para fins de impor práticas de obstrução às investigações em curso.
“Dirty Pix”, termo que dá nome à operação, traduz-se da língua inglesa como “pix sujo”, e faz alusão à natureza ilícita das transferências financeiras utilizadas para viabilizar o esquema.
Fonte: Dourados Informa

