Cheia do Rio Dourados. (Reprodução)
O nível do Rio Dourados está cerca de 5 metros acima do normal após as chuvas que atingiram a região de Fátima do Sul nesta semana. A água chegou à copa das árvores e cerca de 10 famílias precisaram ser desalojadas na quarta-feira (14). Nesta quinta (15), o rio subiu ainda mais, preocupando quem depende da pesca.
Pescadora há 48 anos, Maria Antônia Poliano representa os trabalhadores da Colônia de Pescadores de Fátima do Sul, criada em 2001. Ela explica que a cheia faz parte do ciclo natural das águas, além de ser impactada pela abertura de comportas de uma usina. A última inundação semelhante ocorreu em 2014, há 12 anos.
“A preocupação dos pescadores é porque este é o melhor mês para pegar peixes. Entre agosto e setembro, eles pescaram, mas praticamente apenas praticando o pesque e solte, por causa do tamanho máximo”, explica Maria Antônia Poliano. Ela critica a exigência de soltar peixes híbridos e exóticos na região.
Por outro lado, há uma expectativa de que a cheia do Rio Dourados aumente a reprodução dos peixes. “Desde 2020, a hidrelétrica estava com comportas fechadas, e aí os nossos peixes não se reproduziam. Tenho certeza de que ano que vem vai ter mais peixe. O ruim é como os pescadores vão sobreviver até lá, porque o seguro-defeso demora a chegar.”
As famílias desalojadas receberam apoio da Defesa Civil de Fátima do Sul e foram levadas a casas de familiares e amigos. A expectativa dos pescadores é que, se a chuva parar, a atividade de pesca só volte a ser possível em cerca de uma a duas semanas. No entanto, a previsão ainda indica precipitação na região.
Fonte: Midiamax

