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Após repercussão de grito de guerra, associação diz que PMs não são treinados para agressão ou tortura

Após repercussão de grito de guerra, associação diz que PMs não são treinados para agressão ou tortura

Grito de guerra repercutiu após a 38ª turma da PMMS. (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Horas após a repercussão do grito de guerra violento entre os recém-formados da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul), a ACS PMBM MS (Associação e Centro Social dos Policiais Militares e Bombeiros Militares de Mato Grosso do Sul) se manifestou em defesa dos militares.

O vídeo do grito de guerra viralizou nesta sexta-feira (1º), um dia depois da formatura de 427 novos soldados da corporação. ‘Bato nele até morrer’ é um dos trechos cantados pelos militares.

Com a repercussão do vídeo, a ACS PMBM MS publicou uma nota de apoio aos formandos da 38ª turma da PMMS. O texto começa citando a repercussão do grito e afirma que, fora de contexto, a situação causou polêmica.

Nem bem vestiram a farda como soldados formados e os 427 novos policiais militares da 38ª turma da PMMS já estão sendo atacados — não por erros, mas por um ritual simbólico e tradicional da formação militar: o grito de guerra”, descreve a nota.

Em seguida, a associação afirmou que o grito de guerra não é orientação de conduta. “É tradição militar, usada em todo o Brasil para fortalecer o espírito de corpo, a disciplina e a união dos guerreiros que vão para as ruas proteger a sociedade. A formação dos novos soldados teve mais de 1.500 horas de aulas, com base em disciplina, legalidade, direitos humanos e técnica policial”, pontuou a ACS PMBM MS.

Na ocasião, a associação negou que os policiais sejam treinados para agredirem ou torturarem. Também, opinou que atacar a tropa por um grito simbólico é um desrespeito a tradição militar.

Nenhum policial é treinado para agredir ou torturar. A missão da PM é proteger vidas, manter a ordem e agir sempre dentro da lei. Atacar uma tropa inteira por um grito simbólico é distorcer os fatos, desrespeitar a tradição militar e revelar um completo desconhecimento sobre a formação policial”, declarou a associação.

Por fim, pediu que os recém-formados mantenham a cabeça erguida. “A missão de vocês é nobre. A sociedade precisa de vocês — e a ACS estará sempre vigilante na defesa da Polícia Militar. Este é apenas o primeiro de muitos ataques injustos, mas tenham certeza: nenhum soldado estará sozinho nessa jornada”, finalizou a ACS PMBM MS, em nota.

Associação dos Praças diz que canções militares não possuem viés ideológico

Ao Jornal Midiamax, o Cabo Ferreira, Presidente da ASPRA-MS (Associação dos Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul) disse que as Charlies Mike — como são chamadas as canções militares — não possuem viés ideológico ou de qualquer entendimento à violência.

“Pelo contrário, nossa formação abrange tanto aspectos técnicos e práticos quanto o desenvolvimento de qualidades pessoais como disciplina, liderança e senso de dever”, afirmou o presidente.

Cabo Ferreira também explicou a tradição das canções. “Charlies Mike é tradição e expressa a ideia de um senso de unidade e camaradagem entre nós militares, além de papel importante na manutenção da moral e da disciplina”.

Ainda segundo o presidente, a ASPRA-MS deve se manifestar oficialmente por meio de nota.

Canção repercutiu anos atrás no Paraná

A canção que viralizou nesta sexta-feira (1º) repercutiu em 2017 com policiais do Paraná. Na época, policiais da Rotam (Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas) do Paraná cantaram a canção enquanto praticavam exercícios físicos, o famoso TFM (Treinamento Físico Militar).

Isso porque, alguns trechos da canção fazem apologia à violência. “Miro na cabeça, atiro sem errar”, “Bate na cara e espanca até matar”, “Arranco a cabeça, explode ela no ar” e “Arranca a pele e esmaga os seus ossos. Joga eles na vala e reza um Pai Nosso”.

Nas redes sociais, várias pessoas saíram em defesa dos novos militares. “O vídeo não representa a apologia à violência, mas sim a realidade dura da vida militar. É uma expressão de força, resistência e da coragem de quem arrisca a própria vida todos os dias em defesa da sociedade”, escreveu uma mulher.

Em seguida, outro comentário feito por um perfil de memes diz: “Excelente! Música para nossos ouvidos. Literalmente”. Logo abaixo, outras pessoas parabenizam o grito de guerra dos militares.

(Reprodução, Redes Sociais)

‘Bato nele até morrer’

A última formatura de alunos aconteceu na tarde desta quinta-feira (31), levantando suspeitas de que o vídeo seria referente a este último grupo de formandos. Rodeados por um instrutor, os alunos batem palmas, pulam e gritam os seguintes versos:

“Bate na cara, espanca até matar

Arranca a cabeça dele e joga ela pra cá

O interrogatório é muito fácil de fazer

Eu pego o vagabundo e bato nele até morrer

Desce aqui e venha conhecer

A tropa da PM que cancela CPF”

Ao todo, 427 novos soldados participaram da cerimônia, no pátio do Palácio Tiradentes, onde fica o Comando Geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. Eles passaram por 1.554 horas de formação, entre aulas teóricas e práticas.

O Governo de Mato Grosso do Sul manifestou repúdio pelas condutas que incentivam a violência e determinou uma rigorosa apuração dos fatos. Na mesma nota, a PMMS lamentou o ocorrido e disse que o episódio consiste em uma manifestação isolada, afirmando que o grito não faz parte de seus protocolos oficiais.

Confira a nota na íntegra:

O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul manifesta publicamente seu repúdio a quaisquer condutas que incentivem a violência, e determinou a adoção imediata das providências cabíveis, com rigorosa apuração dos fatos e aplicação das sanções legais previstas.

A Polícia Militar do Estado de Mato Grosso do Sul lamenta o ocorrido e esclarece que o episódio consiste em uma manifestação isolada, não representando os valores, princípios e o padrão institucional da corporação. A expressão utilizada não foi criada pela instituição e tampouco faz parte de seus protocolos oficiais. A preparação do efetivo inclui disciplinas voltadas à valorização da vida, respeito às minorias e atuação comunitária.

O Governo de Mato Grosso do Sul enfatiza que forma policiais para defender a sociedade, a vida, a segurança e a paz.

Fonte: Midiamax

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