Bernal continua preso. (Foto: Madu Livramento, Midiamax)
A defesa do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, pediu a absolvição dele pelo homicídio do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. Um dos argumentos principais é que Bernal atirou temendo pela própria vida.
Em 15 de abril, a Justiça aceitou a denúncia por homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma de fogo e violação de domicílio. O político e advogado segue preso desde a data do crime, 24 de março.
Na noite de quinta-feira (30.04), os advogados Ricardo Wagner Machado Filho, Wilton Edgar Sá e Silva Acosta, Oswaldo Meza Baptista, Walquíria Moraes Barros e Gledson Alves de Souza apresentaram defesa prévia repetindo a tese de legítima defesa.
O grupo pediu a absolvição sumária, ou seja, que Bernal fosse inocentado sem sequer ser julgado. O ex-prefeito teria defendido a posse da casa que mantinha no Jardim dos Estados, e que havia sido arrematada em leilão por Mazzini.
Em 23 páginas, os advogados rebatem ponto a ponto a denúncia da Promotoria. Eles citam que o ex-prefeito temeu pela vida e que o fiscal poderia tentar matá-lo se tomasse a arma dele.
“Diante de invasores dentro de sua casa, o acusado [Alcides Bernal] temeu iminentemente pela própria vida, acreditando que seria atacado e desarmado pelos invasores (‘na minha cabeça, ou ele toma a minha arma e atira em mim ou acontece o que aconteceu’), caracterizando perfeitamente a agressão injusta e iminente”, escreveram.
Machado Filho, Acosta, Meza, Walquíria e Souza negaram que Bernal premeditou o assassinato, já que ele confessou em depoimento que não conhecia Mazzini. Além disso, se entregou voluntariamente após o crime.
Além disso, acusam a vítima de ter invadido a casa, quando deveria exigir a posse na Justiça.
“A vítima, Sr. Roberto Mazzini, ao invés de valer-se dos meios legais e civilizados (como aguardar um mandado de imissão na posse a ser cumprido por um oficial de Justiça), agiu de forma arbitrária e ilegal ao contratar um chaveiro para violar um domicílio habitado”, apontam.
O caso segue na 1ª Vara do Tribunal do Júri. Caberá ao juiz Carlos Alberto Garcete decidir se concorda com a defesa e absolve Bernal ou prossegue com o caso. Nessa última situação, a ação entra na fase de instrução, onde defesa e acusação produzem provas antes do júri popular.
Ex-prefeito é denunciado por homicídio
A 19ª Promotoria de Justiça de Campo Grande denunciou o ex-prefeito Alcides Bernal pelo homicídio qualificado do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini e porte ilegal de arma de fogo. O político e advogado está preso desde a data do crime, 24 de março de 2026.
Na denúncia, os promotores Lívia Carla Guadanhim Bariani e José Arturo Bobadilla Garcia lembram que Mazzini, de 60 anos, havia adquirido a casa de Bernal, no Jardim dos Estados, em um leilão da Caixa Econômica Federal, e foi ao local tomar posse do imóvel, junto de um chaveiro.
“O crime foi cometido por motivo torpe, visto que o denunciado agiu impelido pelo sentimento de vingança, mais precisamente porque não aceitava a perda do imóvel para a vítima e ainda acreditava ter direito sobre ele. Assim, decidiu ceifar-lhe a vida. Dada a repugnância da motivação do crime, caracterizada está a qualificadora”, escreveram os membros do MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul).
Assim, o político foi denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa, contra vítima maior de 60 anos; e também por porte ilegal de arma de fogo.
Dias depois, o MP complementou a denúncia e pediu à Justiça a inclusão de mais um agravante ao assassinato, de meio cruel, e pelo crime de violação de domicílio.
“O homicídio é qualificado porque cometido com emprego de meio cruel, pois o denunciado, em atitude perversa, realizou um primeiro disparo em desfavor da vítima, atingindo-a, e, após incapacitada, efetuou o segundo à curta distância, quando a vítima estava caída. Continuamente, evadiu-se do local sem prestar socorro ao ofendido, revelando total insensibilidade”, pontuaram Lívia e José Arturo.
Bernal preso por assassinato
O crime aconteceu em uma casa que pertenceu a Bernal, mas foi arrematada em um leilão por Mazzini, no ano passado. Na tarde de 24 de março, Roberto foi até lá, na presença de um chaveiro, a fim de tomar posse do imóvel, mas foi alvejado por ao menos dois tiros, que atingiram a região da costela, transfixando, e a dorsal da vítima.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 14h; eles realizaram, por cerca de 25 minutos, manobras de reanimação, mas o servidor não resistiu e morreu.
Após o crime, o ex-prefeito se entregou na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro. Já o chaveiro, que presenciou o assassinato, foi encaminhado para o Cepol (Centro Integrado de Polícia Especializada).
Fonte: Midiamax

