Fabiola Marcotti era fisioterapeuta em Campo Grande e tinha 51 anos. (Reprodução, Crefito13)
Relatos de amigas que conviviam com a fisioterapeuta Fabiola Marcotti e o médico cardiologista João Jazbik Neto reforçam suspeitas sobre a morte da mulher. Fabiola foi encontrada morta em casa na segunda-feira (18) com um tiro na região da cabeça, no bairro Chácara dos Poderes, em Campo Grande.
O caso foi registrado como suicídio, mas segue em investigação. O médico, o ex-funcionário e um caseiro foram presos por fraude processual, pois o cardiologista pediu que colocassem um armário com várias armas em outro cômodo do imóvel antes da chegada da polícia. João Jazbik também foi preso por posse irregular de arma de fogo.
Desde segunda-feira (18), o caso é investigado pela Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). A versão apresentada pelo médico, de que Fabiola teria tirado a própria vida, não condiz com o ferimento no corpo dela. Enquanto isso, amigas relatam que o médico era extremamente ciumento.
Possessivo
De acordo com fontes próximas da vítima ouvidas pelo Jornal Midiamax, o cardiologista era extremamente possessivo com a companheira. Os dois se conheceram no trabalho entre 2010 e 2012 e, logo, Fabiola mudou totalmente o comportamento.
Aos poucos, a fisioterapeuta parou de trabalhar fora de casa e passou a atender pacientes a domicílio. Por ter epilepsia, ela não dirigia, e outras pessoas precisavam levá-la para os atendimentos. Idas ao salão de beleza e até a dosagem do medicamento de Fabiola eram controladas.
“Ele não a deixava ir a um salão de beleza fazer depilação; ele mesmo fazia. Quando ia à manicure ou fazer a sobrancelha, ele ia junto. Às vezes, fazia devolver a roupa, porque não gostou do vestido. Ele fazia as pessoas irem buscar a Fabiola nos locais, pois não permitia ir de carro de aplicativo. Ele mesmo mexia na dosagem do remédio de epilepsia”, relatou.
‘Metido a valentão’
Pessoa próxima à Fabiola revelou à reportagem que o médico levava a fisioterapeuta para visitar familiares, mas ficava sempre arredio. Ele também ostentava ter arma de fogo.
“Uma vez em um churrasco, ele bateu na perna dela, levantou e foi embora. É metido a valentão, pois tem arma e sempre falava: ‘Ah, se eu errasse um tiro, meu pai me dava um tapa’. Ela ia à casa de familiares para bater papo, mas ele a levava e buscava, sempre com um pé atrás. Quando estavam em churrasco, ele ficava meio arredio e não entrava muito no assunto, brincadeiras, sempre usando roupa social”, comentou.
No dia em que a fisioterapeuta foi encontrada sem vida, vizinhos disseram que o casal era reservado. Uma pessoa próxima ao casal contou à reportagem que Fabiola não podia conversar nem mesmo com os funcionários da residência.
“Ele não permitia que ela conversasse nem com os empregados da casa; o caseiro precisava ficar trancado enquanto ela ia para a piscina”, contou.
‘Não tinha depressão’
Desde o ocorrido, pessoas próximas à Fabiola acreditam em feminicídio. “Ela não tinha depressão, ela vivia feliz. O problema era o inferno que ele causava na vida dela, mas não há traço de depressão. […] Ele a obrigava a assistir a determinado canal de televisão; ela vivia no mundo dele”, garantiu.
Há cerca de oito meses, Fabiola teria comentado com uma pessoa que estava pensando em se separar. “Mas aí eles foram para uma fazenda, ficaram quase um mês, e ela disse que continuaria com ele”, revelou.
Ao Jornal Midiamax, a pessoa próxima à vítima lembrou o feminicídio da policial militar Gisele Santana, em São Paulo — morta com um tiro na cabeça. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas foi modificado para morte suspeita após a família da vítima relatar que ela vivia uma relação abusiva, com excesso de controle e ciúmes por parte de Geraldo Neto, tenente-coronel. Geraldo foi preso no dia 18 de março.
“Todos estão achando que é feminicídio, porque ele escondeu a arma. Agora, há o medo de que ele seja liberado. Mas o que pudermos fazer para que ele pague, [faremos]”, finalizou.
Relembre o caso
No fim da manhã de segunda-feira (18), a PM (Polícia Militar) foi acionada por uma suspeita de suicídio. Ao chegarem ao local, os militares encontraram o marido da vítima e equipes do Corpo de Bombeiros, que já haviam constatado o óbito.
Aos policiais, o médico disse que a esposa fez atividades de rotina matinal e, em determinado momento, foi para o andar superior da casa, onde está o quarto do casal.
Na ocasião, o médico contou ter estranhado a demora de Fabiola e decidiu subir para verificar a situação. Quando subiu, alegou ter encontrado a porta do quarto fechada. Ele bateu à porta, mas não foi respondido.
Em seguida, o cardiologista desceu até a cozinha e ligou para Fabiola, mas ela não atendeu. Pouco tempo depois, ele disse ter ouvido um disparo de arma de fogo e retornou ao andar superior, momento em que viu a porta do quarto aberta e a companheira caída ao chão. Ele não soube precisar o horário exato.
Segundo o registro policial, o médico acionou seu ex-caseiro, que chegou ao imóvel pelos fundos. Logo, ele e os atuais caseiros foram até o quarto e acionaram o 190.
Posteriormente, equipes da Deam foram até o local, juntamente com a Perícia Criminal.
Prisão
O delegado Leandro Santiago, da Deam, afirmou que três pessoas foram presas em flagrante na segunda (18), inclusive João Jazbik, companheiro de Fabiola.
Para a polícia, a versão apresentada pelo cardiologista, de que Fabiola teria tirado a própria vida, não condiz com o ferimento no corpo dela. A fisioterapeuta estava com uma perfuração de tiro na região da cabeça.
Antes da chegada da polícia ao local, o médico teria ligado para o ex-funcionário e um caseiro para se deslocarem até sua casa. Ao chegarem ao local, o médico pediu que os dois homens colocassem um armário com diversas armas em outro cômodo da casa, o que caracteriza fraude processual.
Fonte: Midiamax

