Gilberto foi encaminhado para a Deam. (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)
Gilberto Jarson, de 50 anos, preso por matar a subtenente Marlene de Brito Rodrigues, foi descrito como uma pessoa violenta pela ex-companheira há dez anos. Ele foi preso por feminicídio na tarde de segunda-feira (6) na casa da subtenente no bairro Estrela Dalva, em Campo Grande.
Conforme apurado, na ficha criminal do suspeito, constam 20 passagens, sendo a maioria por ameaça, quatro por violência doméstica e passagens por associação criminosa.
O suspeito foi denunciado em 2016 pela ex-companheira, época em que ela estava separada há quase dois anos de Gilberto. Antes disso, ela há havia registrado dois boletins de ocorrência contra o ex por ameaça e injúria, e conseguiu medida protetiva.
À polícia, foi relatado que o homem era muito violento e não aceitava a separação. Mesmo com a medida protetiva em vigor, Gilberto foi visto em um bar próximo da casa da ex-companheira.
Mulher foi brutalmente agredida no caminho para a igreja
Conforme o registro policial, a mulher seguia para um culto na igreja com o filho de 4 anos no colo, quando passou em frente ao bar e percebeu que o ex-companheiro estava no estabelecimento.
Na ocasião, Gilberto teria proferido xingamentos de baixo calão aos gritos contra a ex-companheira. Ela seguiu o trajeto para a igreja, tentando ignorar o suspeito, mas ele se aproximou e arremessou um capacete em direção a mulher. Gilberto ainda teria agredido a ex com socos no olho e na cabeça, mesmo com a mulher carregando o filho no colo.
Diante da agressão, a mulher caiu ao chão e uma pessoa tirou a criança de perto do suspeito. Neste momento, Gilberto pegou um banco de madeira do bar e quebrou o banco com golpes na cabeça da vítima.
A mulher relatou aos policiais que deu um chute no ex-companheiro para se defender, mas ele só parou de agredi-la quando viu que sua cabeça estava com sangramento. Ele ameaçou matar a mulher “de qualquer jeito” e fugiu.
Na delegacia, a mulher contou que foi para uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e precisou levar dois pontos na cabeça. Ela revelou que o ex-companheiro era usuário de drogas e temia pela vida.
Feminicídio
O crime ocorreu no horário do almoço e, após dar versões contraditórias dos fatos, o namorado foi preso em flagrante pelo feminicídio. Conforme detalhes da PM (Polícia Militar), um vizinho policial foi o primeiro a chegar ao local do crime. Uma outra vizinha ouviu o tiro e comunicou o policial militar, que então foi até a casa e encontrou Gilberto com as mãos ensanguentadas.
Segundo o soldado, ele questionou o suspeito sobre Marlene, mas ele não respondeu. Como o portão estava trancado, solicitou que Gilberto abrisse, mas ele demorou. Por isso, o militar pulou o muro da casa.
Gilberto estava falando ao telefone, com a arma na mão direita. Então, o PM ordenou que o namorado de Marlene soltasse a arma, um revólver, e ele o colocou em cima de um baú.
Quando o vizinho entrou na casa, Marlene ainda tinha sinais vitais, então ele acionou socorro via 192, 193 e 190, mas ela não resistiu. Além do policial, outros vizinhos confirmaram que as brigas de casal eram frequentes.
Uma testemunha chegou a dizer que ouvia sempre Gilberto gritando com Marlene e que, em determinada ocasião, ouviu ela gritar por socorro. Após os fatos, as equipes do 9º Batalhão da PMMS foram acionadas e estiveram no local.
Aos policiais, Gilberto deu versões diferentes dos fatos. Em determinado momento, disse que ligou para a polícia após o tiro e mostrou o celular. Então, os militares identificaram também uma chamada para o advogado do suspeito.
Gilberto afirmou que a ligação ocorreu porque tinha provas de que a vítima “manifestava intenção de cometer suicídio”. Afirmou também que não houve discussão ou desentendimento na data dos fatos.

Feminicídios de 2026 em MS:
- Josefa dos Santos (Bela Vista) – 16 de janeiro;
- Rosana Candia Ohara (Corumbá) – 24 de janeiro;
- Nilza de Almeida Lima (Coxim) – 22 de fevereiro;
- Beatriz Benevides da Silva (Três Lagoas) – 25 de fevereiro;
- Liliane de Souza Bonfim Duarte (Ponta Porã) – 6 de março;
- Leise Aparecida Cruz (Anastácio) – 6 de março;
- Ereni Benites (Paranhos) – 8 de março;
- Fátima Aparecida da Silva (Selvíria) – 23 de março;
- Marlene de Brito Rodrigues (Campo Grande) – 6 de abril.
Fonte: Midiamax

